Exclusivo: Bessent pede menos regulação para ajudar pequenos bancos

Bessent defende redução de regulação para impulsionar bancos de menor porte

Contexto da proposta

O presidente do Federal Reserve, Jerome Bessent, apresentou recentemente uma série de recomendações voltadas a aliviar o peso regulatório que recai sobre instituições financeiras de pequeno e médio porte. A iniciativa surge em um momento em que muitos bancos comunitários relatam dificuldades para competir com grandes conglomerados, especialmente no que tange ao cumprimento de normas de capital, relatórios de risco e exigências de tecnologia da informação. Segundo Bessent, a simplificação do arcabouço regulatório pode liberar recursos que hoje são destinados à conformidade, permitindo que esses bancos ampliem o crédito a pequenas empresas e famílias locais.

Principais argumentos de Bessent

Bessent baseia sua defesa em três pilares principais. Primeiro, ele argumenta que a complexidade regulatória atual cria barreiras de entrada desproporcionais para bancos menores, que não dispõem de equipes jurídicas e de compliance robustas. Segundo, a carga de relatórios duplicados — muitas vezes exigidos tanto por reguladores federais quanto estaduais — consome tempo e capital que poderiam ser direcionados à originação de empréstimos. Por fim, o presidente do Fed destaca que a inovação tecnológica, como plataformas de open banking e soluções de fintech, pode ser adotada mais rapidamente se os requisitos de aprovação regulatória forem mais ágeis.

Fachada de uma agência bancária de pequeno porte em área urbana
Fachada de uma agência bancária de pequeno porte em área urbana. Foto: Deane Bayas / Pexels

Impacto esperado para o setor

Estudos preliminares sugerem que a redução de exigências de capital de nível 1 para bancos com ativos abaixo de 10 bilhões de dólares poderia aumentar a capacidade de empréstimo em até 15 % nos primeiros dois anos. Além disso, a simplificação dos relatórios de estresse (stress testing) traria economia estimada de 2 a 3 % do orçamento operacional anual dessas instituições. O efeito cascata seria sentido principalmente nas regiões onde bancos comunitários são a principal fonte de financiamento para agricultura, comércio local e habitação popular.

Reações do mercado e de especialistas

Analistas de mercado receberam a proposta com cautela otimista. Grande parte concorda que a desregulamentação pontual pode estimular a concessão de crédito, mas alertam para o risco de enfraquecer a supervisão de riscos sistêmicos. Associações de consumidores pedem garantias de que a proteção ao depositante e a transparência nas tarifas não sejam comprometidas. Já representantes de fintechs veem a medida como uma oportunidade para parcerias mais fluidas com bancos tradicionais, especialmente em soluções de pagamento instantâneo e crédito digital.

Documentos de regulação financeira sobre uma mesa de trabalho
Documentos de regulação financeira sobre uma mesa de trabalho. Foto: qmicertification design / Pexels

Próximos passos e perspectivas

O próximo passo será a abertura de um período de consulta pública, previsto para durar 90 dias, durante o qual bancos, associações setoriais, órgãos de defesa do consumidor e a sociedade civil poderão apresentar sugestões e preocupações. Paralelamente, o Fed deve publicar um relatório de impacto regulatório (RIA) detalhando cenários de ganho de eficiência versus possíveis aumentos de risco de crédito. A expectativa é que, caso as contribuições reforcem a viabilidade da proposta, uma regra final seja publicada ainda no primeiro semestre do próximo ano, com implementação escalonada para dar tempo às instituições de adaptarem seus processos internos.

Analista financeiro examinando gráficos de desempenho bancário
Analista financeiro examinando gráficos de desempenho bancário. Foto: https://kaboompics.com/ / Pexels

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