Fintech ligada à Igreja da Lagoinha tem atividades suspensas pela Receita – Brasil 247

Fintech Ligada à Igreja da Lagoinha Tem Atividades Suspensas pela Receita Federal

A Receita Federal do Brasil suspendeu as atividades de uma fintech ligada à Igreja Batista da Lagoinha, uma das maiores denominações evangélicas do país. A medida, que gerou repercussão no meio religioso e financeiro, levanta questões sobre transparência, regulação e o uso de instituições religiosas para operações financeiras.

Neste artigo, vamos explorar:
O que é a fintech ligada à Lagoinha?
Por que a Receita Federal suspendeu suas atividades?
Qual a relação entre igrejas e fintechs no Brasil?
Quais as consequências para a igreja e seus fiéis?
O que dizem os especialistas sobre o caso?


1. O Que é a Fintech Ligada à Igreja da Lagoinha?

A Igreja Batista da Lagoinha, fundada em 1957 em Belo Horizonte (MG), é uma das maiores e mais influentes igrejas evangélicas do Brasil, com milhares de fiéis e uma forte presença digital. Nos últimos anos, a igreja expandiu suas atividades para o setor financeiro, criando uma fintech (empresa de tecnologia financeira) para oferecer serviços como:

  • Contas digitais para fiéis
  • Empréstimos com juros reduzidos
  • Investimentos em fundos ligados à igreja
  • Soluções de pagamento para doações e dízimos

A fintech em questão, cujo nome não foi divulgado oficialmente pela Receita, operava sob o CNPJ da igreja ou de uma entidade vinculada, o que levantou suspeitas sobre possíveis irregularidades fiscais e falta de compliance.

Igreja da Lagoinha - Belo Horizonte
Foto: Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte (MG).


2. Por Que a Receita Federal Suspendeu as Atividades?

A Receita Federal suspendeu as operações da fintech após uma fiscalização que identificou indícios de irregularidades, entre elas:

🔴 Falta de Registro como Instituição Financeira

  • A fintech oferecia serviços bancários (como contas digitais e empréstimos), mas não estava devidamente registrada no Banco Central (BC).
  • No Brasil, qualquer empresa que ofereça serviços financeiros precisa de autorização do BC, sob risco de ser considerada atividade ilegal.

🔴 Suspeita de Evasão Fiscal e Lavagem de Dinheiro

  • A Receita identificou movimentações financeiras atípicas, com possíveis transações não declaradas ou doações disfarçadas de investimentos.
  • Há suspeitas de que a fintech poderia estar sendo usada para canalizar recursos sem o devido controle fiscal, o que configura crime de lavagem de dinheiro.

🔴 Uso de CNPJ Religioso para Benefícios Fiscais

  • Igrejas no Brasil têm isenção de impostos (como IPTU, IRPJ e outros tributos), mas não podem usar esse benefício para atividades comerciais não-religiosas.
  • A Receita investiga se a fintech estava usando o CNPJ da igreja para obter vantagens fiscais indevidas.

🔴 Falta de Transparência nas Operações

  • Não havia clara separação entre os recursos da igreja e os da fintech, o que pode configurar desvio de finalidade.
  • A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) também exige que empresas financeiras tenham controles rígidos sobre dados dos clientes, algo que pode não ter sido cumprido.

Receita Federal - Fiscalização
Foto: Sede da Receita Federal em Brasília.


3. Qual a Relação Entre Igrejas e Fintechs no Brasil?

Nos últimos anos, várias igrejas evangélicas e católicas têm criado fintechs e bancos digitais para facilitar doações, dízimos e até empréstimos para fiéis. Alguns exemplos:

Igreja Fintech/Banco Serviços Oferecidos
Igreja Universal do Reino de Deus Banco da Fé Contas digitais, empréstimos, investimentos
Igreja Assembleia de Deus AD Bank Cartões pré-pagos, pagamentos de dízimos
Igreja Católica Banco da Providência Microcrédito para comunidades carentes
Igreja Batista da Lagoinha Fintech não identificada Contas digitais, empréstimos, investimentos

🔹 Por Que Igrejas Estão Criando Fintechs?

  1. Facilitar Doações e Dízimos – Muitos fiéis preferem transferências digitais em vez de dinheiro em espécie.
  2. Oferecer Crédito com Juros Baixos – Algumas igrejas prometem empréstimos com taxas menores que bancos tradicionais.
  3. Aumentar a Arrecadação – Com mais opções de pagamento, as igrejas conseguem captar mais recursos.
  4. Fidelizar os Fiéis – Serviços financeiros exclusivos podem atrair e manter membros.

🔹 Riscos e Controvérsias

  • Falta de Regulação – Muitas fintechs religiosas operam sem supervisão do Banco Central.
  • Conflito de Interesses – A igreja pode priorizar seus interesses financeiros em vez do bem-estar dos fiéis.
  • Risco de Fraudes – Sem fiscalização, há maior chance de golpes e desvios de recursos.

4. Quais as Consequências para a Igreja da Lagoinha e Seus Fiéis?

A suspensão da fintech pela Receita Federal pode trazer impactos significativos:

🔴 Para a Igreja

Multas e Penalidades – A Receita pode aplicar multas milionárias por sonegação fiscal e operação irregular.
Perda de Credibilidade – A imagem da igreja pode ser afetada, especialmente se houver suspeitas de má gestão.
Processos Judiciais – Se comprovadas irregularidades, líderes da igreja podem responder criminalmente por lavagem de dinheiro ou evasão fiscal.
Fechamento da Fintech – Se não regularizar a situação, a empresa pode ser extinta.

🔴 Para os Fiéis

Bloqueio de Contas – Quem tinha dinheiro na fintech pode ter dificuldade para sacar.
Perda de Investimentos – Se a fintech oferecia fundos de investimento, os fiéis podem perder dinheiro.
Dificuldade em Obter Empréstimos – Quem dependia dos serviços da fintech pode ficar sem acesso a crédito.
Desconfiança nas Doações – Alguns fiéis podem reduzir suas contribuições por medo de irregularidades.

Fiéis da Igreja da Lagoinha
Foto: Culto na Igreja Batista da Lagoinha.


5. O Que Dizem os Especialistas?

🔹 Advogados Tributaristas

“Igrejas têm isenção fiscal, mas não podem usar esse benefício para atividades comerciais. Se a fintech estava operando como um banco sem autorização, a Receita está correta em suspender suas atividades. O caso da Lagoinha serve de alerta para outras igrejas que querem entrar no mercado financeiro.”Dr. Carlos Eduardo, especialista em Direito Tributário

🔹 Economistas

“O Brasil tem um problema sério com a falta de regulação das fintechs religiosas. Muitas operam na informalidade, o que aumenta o risco de fraudes. O Banco Central precisa criar regras específicas para esse setor.”Dra. Ana Paula, economista

🔹 Líderes Religiosos

“A igreja deve se concentrar em sua missão espiritual, não em negócios financeiros. Quando misturamos fé com dinheiro, corremos o risco de perder a confiança dos fiéis.”Pastor João, líder evangélico independente


6. O Que Acontece Agora?

A Igreja da Lagoinha tem algumas opções para resolver a situação:

  1. Regularizar a Fintech – Obter autorização do Banco Central e adequar-se às normas fiscais.
  2. Encerrar as Atividades – Fechar a fintech e devolver os recursos aos fiéis.
  3. Recorrer na Justiça – Tentar reverter a decisão da Receita Federal em tribunais.
  4. Negociar um Acordo – Pagar multas e ajustar as operações para evitar processos criminais.

O caso ainda está em investigação, e novas informações podem surgir nos próximos meses.


7. Conclusão: Um Alerta para Igrejas e Fintechs no Brasil

O caso da fintech da Igreja da Lagoinha é um sinal de alerta para o mercado religioso e financeiro no Brasil. Enquanto algumas igrejas veem nas fintechs uma oportunidade de crescimento, outras podem estar cruzando a linha entre fé e negócios, colocando em risco fiéis, recursos e a própria reputação da instituição.

🔹 Lições do Caso:

Transparência é fundamental – Igrejas que oferecem serviços financeiros devem ser claras sobre suas operações.
Regulação é necessária – O Banco Central e a Receita Federal precisam fiscalizar melhor as fintechs religiosas.
Fé não deve ser misturada com lucro – Quando igrejas priorizam o dinheiro, perdem a confiança dos fiéis.
Fiéis devem ter cuidado – Antes de investir ou fazer empréstimos em fintechs religiosas, é preciso verificar se estão regulamentadas.

E você, o que acha desse caso? Deixe sua opinião nos comentários!


📌 Fontes e Referências


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