Rússia e Irã estão cada vez mais recorrendo a criptomoedas — especialmente stablecoins — para driblar sanções, aponta relatório

Rússia e Irã Recorrem a Criptomoedas para Driblar Sanções, Aponta Relatório

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Nos últimos anos, as sanções econômicas impostas por países ocidentais, especialmente os Estados Unidos e a União Europeia, têm pressionado nações como a Rússia e o Irã a buscar alternativas para manter suas economias funcionando. Uma das soluções que vem ganhando força é o uso de criptomoedas, especialmente as stablecoins, para contornar restrições financeiras e realizar transações internacionais.

Um relatório recente da Chainalysis, empresa especializada em análise de blockchain, revelou que esses países estão cada vez mais adotando ativos digitais para evitar o sistema financeiro tradicional, dominado pelo dólar e pelo euro. Neste artigo, vamos explorar como a Rússia e o Irã estão utilizando criptomoedas, os riscos envolvidos e o impacto dessa estratégia no cenário geopolítico global.


Por que Rússia e Irã Estão Recorrendo às Criptomoedas?

1. Sanções Econômicas e Isolamento Financeiro

Tanto a Rússia quanto o Irã enfrentam sanções severas que limitam seu acesso ao sistema financeiro global:

  • Rússia: Após a invasão da Ucrânia em 2022, o país foi alvo de sanções sem precedentes, incluindo a exclusão do SWIFT (sistema de pagamentos internacionais) e o congelamento de reservas em dólares e euros.
  • Irã: Desde a Revolução Islâmica de 1979, o país sofre com sanções dos EUA, que se intensificaram nos últimos anos, especialmente após a saída do acordo nuclear (JCPOA) em 2018.

Essas restrições dificultam transações comerciais, importações e exportações, forçando ambos os países a buscar alternativas descentralizadas.

2. Criptomoedas como Ferramenta de Evasão

As criptomoedas oferecem uma série de vantagens para países sancionados:

Descentralização: Não dependem de bancos centrais ou governos, permitindo transações peer-to-peer (P2P) sem intermediários.
Anonimato relativo: Embora as transações em blockchain sejam públicas, é possível usar mixers (serviços de mistura de cripto) e carteiras não custodiais para dificultar o rastreamento.
Stablecoins como alternativa ao dólar: Moedas como Tether (USDT) e USD Coin (USDC) são lastreadas em dólares, mas não estão sujeitas às mesmas restrições bancárias.


Como a Rússia Está Usando Criptomoedas?

1. Comércio Exterior e Importações

Desde as sanções de 2022, a Rússia tem enfrentado dificuldades para importar tecnologia, medicamentos e bens de consumo. Para contornar isso, empresas russas estão usando stablecoins para pagar fornecedores estrangeiros, especialmente na China, Turquia e Emirados Árabes Unidos.

  • Exemplo: Empresas russas compram USDT em exchanges locais e enviam para fornecedores chineses, que convertem em yuan.
  • Dado: Segundo a Chainalysis, o volume de transações em stablecoins na Rússia aumentou 50% em 2023 em comparação com 2022.

Gráfico: Volume de transações em stablecoins na Rússia (Fonte: Chainalysis)

2. Mineração de Criptomoedas

A Rússia é um dos maiores centros de mineração de Bitcoin do mundo, graças à sua energia barata (especialmente na Sibéria). Com as sanções, o governo russo passou a incentivar a mineração como forma de gerar receita e contornar restrições.

  • Dado: A Rússia responde por ~10% do hashrate global de Bitcoin (segundo o Cambridge Bitcoin Electricity Consumption Index).
  • Estratégia: O Banco Central da Rússia propôs legalizar a mineração e permitir que empresas usem cripto para pagar importações.

3. Uso de Exchanges Descentralizadas (DEXs)

Para evitar exchanges reguladas (como Binance e Coinbase, que bloqueiam contas russas), muitos cidadãos e empresas estão migrando para DEXs (exchanges descentralizadas), como Uniswap e PancakeSwap, onde não há controle de identidade (KYC).


Como o Irã Está Usando Criptomoedas?

1. Petróleo e Exportações em Cripto

O Irã, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, tem enfrentado dificuldades para vender seu produto devido às sanções. Para contornar isso, o governo iraniano autorizou o uso de criptomoedas para transações comerciais.

  • Exemplo: Em 2022, o Irã vendeu petróleo para a China usando Tether (USDT).
  • Dado: Segundo a Elliptic, empresa de análise de blockchain, o Irã movimentou mais de US$ 10 bilhões em cripto entre 2020 e 2023.

2. Mineração de Bitcoin com Energia Subsidiada

O Irã também é um grande minerador de Bitcoin, aproveitando sua energia elétrica barata (subsidiada pelo governo). Em 2021, o país legalizou a mineração de cripto e passou a exigir que mineradores vendam parte de seus Bitcoins para o Banco Central.

  • Dado: O Irã responde por ~4% do hashrate global de Bitcoin.
  • Problema: A mineração consome muita energia, e o governo iraniano já proibiu a atividade em períodos de pico de consumo.

Foto: Fazenda de mineração de Bitcoin no Irã (Fonte: Reuters)

3. Uso de Cripto para Remessas e Comércio Informal

Muitos iranianos usam criptomoedas para enviar remessas do exterior, já que os bancos tradicionais estão bloqueados. Além disso, o comércio informal (como o mercado de teerã) aceita USDT como forma de pagamento.


Riscos e Desafios do Uso de Criptomoedas para Evasão de Sanções

Apesar das vantagens, o uso de cripto para contornar sanções apresenta riscos significativos:

1. Rastreabilidade das Transações

Embora as criptomoedas sejam descentralizadas, todas as transações ficam registradas na blockchain. Empresas como Chainalysis e Elliptic conseguem rastrear fluxos suspeitos e identificar carteiras ligadas a governos sancionados.

  • Exemplo: Em 2023, os EUA sancionaram uma exchange russa (Bitzlato) por facilitar transações ilícitas.
  • Consequência: Países que negociam com Rússia e Irã em cripto podem sofrer sanções secundárias.

2. Volatilidade e Liquidez

O Bitcoin e outras criptomoedas são voláteis, o que pode causar perdas em transações comerciais. As stablecoins (como USDT) são mais estáveis, mas ainda enfrentam riscos de congelamento por parte de emissores (como a Tether, que já bloqueou fundos de carteiras sancionadas).

3. Regulação Global

Governos ocidentais estão aumentando a pressão contra o uso de cripto para evasão de sanções:

  • EUA: O Tesouro americano emitiu diretrizes para exchanges bloquearem transações de países sancionados.
  • UE: A MiCA (Markets in Crypto-Assets Regulation) exige que exchanges europeias implementem KYC rigoroso.
  • China: Apesar de proibir cripto, o país monitora transações para evitar evasão de sanções.

Conclusão: Criptomoedas São uma Solução Temporária?

O uso de criptomoedas e stablecoins por Rússia e Irã mostra como a tecnologia blockchain pode ser uma ferramenta de resistência econômica contra sanções. No entanto, essa estratégia enfrenta limitações:

Vantagens:

  • Permite transações internacionais sem depender do dólar.
  • Oferece anonimato relativo em comparação com bancos tradicionais.
  • Gera receita por meio de mineração e comércio.

Desvantagens:

  • Rastreabilidade torna difícil esconder grandes transações.
  • Regulação global está apertando o cerco contra exchanges que facilitam evasão.
  • Volatilidade pode causar perdas em operações comerciais.

No longo prazo, é provável que novas tecnologias (como CBDCs – moedas digitais de bancos centrais) ou sistemas de pagamento alternativos (como o CIPS chinês) surjam como alternativas mais estáveis. Por enquanto, porém, Rússia e Irã continuarão explorando criptomoedas como uma forma de sobreviver economicamente em meio às sanções.


Fontes e Referências

E você, o que acha dessa estratégia? As criptomoedas são uma solução viável para países sancionados? Deixe sua opinião nos comentários! 🚀

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