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As stablecoins lastreadas em dólar têm ganhado espaço como alternativa de pagamento e reserva de valor, especialmente em economias com moedas voláteis. Seu crescimento rápido levanta questões sobre a soberania monetária e a eficácia das políticas cambiais tradicionais.
Esses ativos digitais são projetados para manter paridade fixa com o dólar americano, geralmente por meio de reservas em moeda fiduciária ou títulos de baixo risco. A promessa de estabilidade atrai usuários que buscam proteção contra a inflação local e facilita transações transfronteiriças sem a necessidade de conversão cambial tradicional.

O relatório do Banco da Coreia aponta que a adoção massiva de stablecoins lastreadas em dólar pode reduzir a demanda por moedas nacionais, enfraquecer a transmissão da política monetária e aumentar a vulnerabilidade a choques externos. O estudo destaca ainda o risco de “dolarização digital”, em que agentes econômicos passam a preferir ativos digitais em dólar em detrimento da moeda local.

Países com moedas menos estáveis podem enfrentar fuga de capitais, perda de receita de seigniorage e dificuldades para controlar a inflação. A presença de stablecoins globais também pode limitar a capacidade dos bancos centrais de atuar como credores de último recurso, pois parte significativa do sistema de pagamentos passa a operar fora do alcance regulatório doméstico.

Reguladores ao redor do mundo estudam medidas como limites de emissão, exigências de reserva transparente e a criação de moedas digitais de banco central (CBDCs) para competir com as stablecoins privadas. A coordenação internacional, por meio de organismos como o FSB e o G20, será essencial para evitar arbitragem regulatória e preservar a estabilidade financeira global.
O avanço das stablecoins lastreadas em dólar representa um desafio estrutural para a soberania monetária, especialmente em economias emergentes. A resposta adequada exigirá uma combinação de inovação tecnológica, supervisão prudencial e cooperação multilateral para garantir que os benefícios da digitalização financeira não comprometam a estabilidade das moedas locais.